Desenho da Figura Humana (DFH)
Desenho da Figura Humana (DFH): O que é, para que serve e como se usa
Esta é a primeira de duas partes. Aqui vou explicar de forma simples o que é o DFH, para que serve e como se usa. Na Parte 2 vamos falar sobre o que costuma ser observado nos desenhos, cuidados na interpretação e exemplos práticos.
Introdução: porquê falar de DFH?
O Desenho da Figura Humana (DFH) é um recurso muito usado na avaliação psicológica porque é fácil de aplicar, não depende de leitura e ajuda a pessoa a sentir-se mais à vontade. A proposta é simples: desenhar uma pessoa. A partir daí, o psicólogo encontra pistas sobre como a pessoa se vê e como olha para os outros e para o mundo.
É importante lembrar: o DFH não dá diagnósticos sozinho. Ele é apenas uma parte de um processo maior, que inclui entrevistas, observação, outros testes e a história de vida da pessoa.
O que é o DFH em palavras simples
Na prática, o DFH é uma actividade gráfica com lápis e papel. O psicólogo pede: “desenha uma pessoa”. Algumas vezes pede-se também uma pessoa do sexo oposto ou até um auto-retrato.
Não se avalia talento para desenhar. O que interessa é como a pessoa organiza a figura, o espaço da folha, os detalhes, a postura, a força do traço e outras escolhas que dizem algo sobre a sua forma de se expressar.
Para que serve o DFH?
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Primeiro contacto: ajuda a iniciar a avaliação, principalmente com crianças.
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Expressão sem palavras: permite comunicar sentimentos mesmo quando é difícil falar.
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Ver o desenvolvimento: em crianças, os elementos aparecem por etapas, mostrando a maturidade do desenho.
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Levantar hipóteses: apoia o psicólogo a fazer perguntas melhores em entrevistas ou com outros métodos.
O DFH é uma ajuda, não uma resposta definitiva.
Quem pode aplicar
Só psicólogos treinados podem aplicar o DFH. Ele pode ser usado com crianças, adolescentes e adultos. Com crianças costuma ser mais natural, mas também pode ser útil com adultos para conversar sobre autoimagem, papéis sociais e experiências.
Como é feito
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Preparação: espaço calmo, folha em branco e lápis com borracha.
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Instrução: “Por favor, desenha uma pessoa.” Não se deve elogiar nem criticar.
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Tempo: sem limite rígido, mas o tempo é registado.
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Mais desenhos: em alguns casos pede-se um segundo ou um auto-retrato.
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Observação: o psicólogo observa atitudes, comentários e emoções durante o desenho.
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Registo: tudo é anotado para análise depois.
O que se observa
O psicólogo não interpreta sinais isolados. Observa sempre o conjunto:
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Tamanho e posição: muito pequeno, muito grande ou encostado à folha pode dar pistas sobre como a pessoa se coloca no mundo.
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Proporções: cabeça, tronco e membros estão presentes e coerentes?
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Detalhes: olhos, boca, roupas, sapatos, acessórios…
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Traço: linha forte, leve, apagamentos frequentes.
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Postura: figura parada, em movimento, de frente ou de lado?
Nenhum detalhe significa algo sozinho. Tudo serve apenas para levantar hipóteses.
Cuidados a ter
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Explicar bem: a pessoa deve saber o porquê da actividade.
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Guardar privacidade: os desenhos são dados pessoais.
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Respeitar diferenças: cultura, idade e género influenciam o desenho.
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Dar retorno claro: resultados explicados sem rótulos nem julgamentos.
O que vem na Parte 2
Na segunda parte vamos ver como organizar as observações, exemplos práticos, a integração do DFH com entrevistas e os limites desta técnica

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