Psicologia jurídica: A ordem jurídica como ordem normativa
Psicologia Jurídica: Como o Direito influencia comportamentos e decisões
1. O que é o Direito?
O Direito é um conjunto de regras que organizam a convivência entre as pessoas em sociedade. Ele define o que cada um pode ou não fazer, garantindo justiça, direitos e deveres (Mendes, 2020). É uma ciência que busca manter a ordem social e promover a harmonia entre os cidadãos.
2. Qual é o foco de estudo do Direito?
O Direito estuda como as relações humanas devem ser organizadas por meio de normas. O objetivo é promover a paz e resolver conflitos de forma justa (Pereira, 2021).
3. Para que serve o Direito?
A principal função do Direito é proteger os direitos das pessoas, garantir a justiça e manter a ordem. Ele também dá segurança jurídica e ajuda o país a se desenvolver (Silva, 2019).
4. O que dá validade às normas jurídicas?
As normas só valem quando criadas por uma autoridade legítima e aceitas pela sociedade. Esses são os chamados pressupostos do Direito (Fernandes, 2022).
5. Diferentes formas de entender o Direito
O Direito pode ser visto de várias formas:
-
Como ciência (que estuda as normas),
-
Como sistema normativo (conjunto de regras),
-
Como uma ordem jurídica (estrutura que organiza a sociedade) (Costa, 2020).
6. Direito Objetivo
O Direito Objetivo é o conjunto de regras que todos devem seguir. Ele inclui leis escritas, como o Código Penal, mas também costumes e práticas aceitas pela sociedade (Souza, 2021).
Características do Direito Objetivo:
-
Normatividade: Impõe deveres e dá direitos (Mendes, 2020).
-
Coercibilidade: Pode ser imposto pela força do Estado, com punições em caso de
desobediência (Pereira, 2021).
-
Generalidade e Abstração: As leis são criadas para todos, não para casos individuais
(Silva, 2019).
-
Bilateralidade: Regula relações entre duas ou mais pessoas, com direitos e
deveres mútuos (Fernandes, 2022).
Normatividade: Impõe deveres e dá direitos (Mendes, 2020).
Coercibilidade: Pode ser imposto pela força do Estado, com punições em caso de desobediência (Pereira, 2021).
Generalidade e Abstração: As leis são criadas para todos, não para casos individuais (Silva, 2019).
Bilateralidade: Regula relações entre duas ou mais pessoas, com direitos e deveres mútuos (Fernandes, 2022).
Exemplos:
-
Código Civil
-
Código Penal
-
Leis trabalhistas
Código Civil
Código Penal
Leis trabalhistas
Importância para a Psicologia Jurídica
O Direito Objetivo influencia o comportamento das pessoas. O psicólogo jurídico precisa conhecer essas regras para:
-
Avaliar condutas que estejam dentro ou fora da lei;
-
Realizar perícias considerando as normas vigentes;
-
Entender os efeitos psicológicos das leis sobre os indivíduos (Barros & Almeida, 2023).
7. Direito Subjetivo
O Direito Subjetivo é o poder que cada pessoa tem de exercer seus direitos — por exemplo, o direito de votar ou de entrar com um processo na justiça (Oliveira, 2019).
O que é esse poder?
É a liberdade de agir ou exigir algo, desde que previsto nas leis (Martins, 2021). Esse direito existe para proteger interesses legítimos da pessoa.
Classificações:
-
Públicos: Direito à saúde, educação, etc.
-
Privados: Direito de propriedade, contratos.
-
Absolutos: Valem contra todos (ex: propriedade).
-
Relativos: Valem entre partes específicas (ex: contratos) (Oliveira,
2019).
Públicos: Direito à saúde, educação, etc.
Privados: Direito de propriedade, contratos.
Absolutos: Valem contra todos (ex: propriedade).
Relativos: Valem entre partes específicas (ex: contratos) (Oliveira, 2019).
Teorias do Direito Subjetivo
🧠 Teoria da Vontade
O direito depende da capacidade da pessoa de expressar sua vontade.
Exemplo: Um adulto com esquizofrenia pode exercer seus direitos se estiver
consciente e lúcido. O psicólogo avalia essa capacidade durante a
perícia (Martins, 2021).
📌 Aplicação: O direito só é válido se a pessoa tem discernimento.
💡 Teoria do Interesse
Aqui, o foco está em proteger interesses importantes, mesmo que a pessoa não tenha plena consciência disso (Almeida,
2022).
Exemplo: Uma criança em situação de negligência pode ser retirada dos pais,
mesmo que deseje ficar com eles. O psicólogo avalia o que é melhor para
a criança.
📌 Aplicação: O que vale é o interesse da pessoa, não apenas sua vontade.
⚖️ Teoria Mista
Combina as duas anteriores: o direito é legítimo quando há vontade consciente + interesse protegido
(Pinto, 2020).
Exemplo: Um adolescente que cometeu um furto. O psicólogo avalia se ele
entende o que fez e se pode responder por seus atos.
📌 Aplicação: O direito só se aplica quando a pessoa entende e há um interesse a proteger.
Resumo das Teorias:
|
Teoria |
Ênfase |
Exemplo |
Função do Psicólogo |
|
Vontade |
Autonomia da pessoa |
Interdição civil |
Avaliar discernimento |
|
Interesse |
Proteção social |
Guarda de menor |
Avaliar o que é melhor para a criança |
|
Mista |
Combinação |
Ato infracional |
Avaliar maturidade + interesse social |
Relevância para a Psicologia Jurídica
Entender o Direito Subjetivo ajuda o psicólogo a avaliar se uma pessoa pode ou não exercer seus direitos. Isso é fundamental em casos como:
-
Interdição por transtornos mentais,
-
Guarda de crianças,
-
Processos envolvendo adolescentes (Barros & Almeida, 2023).
8. Como surgiu a Psicologia Jurídica?
A Psicologia Jurídica surgiu quando psicólogos começaram a ajudar em processos judiciais, como avaliar a confiabilidade de testemunhos (Almeida & Goulart, 2022).
🕰️ Evolução Histórica:
-
Início (século XIX-XX)
– Foco na psicologia do testemunho. Destaque: Hugo Münsterberg e a
obra On the Witness Stand
(1908).
-
Consolidação (1920–1950)
– Psicólogos atuam em tribunais, prisões e hospitais.
-
Reconhecimento (1970–1990)
– Criação de associações, novas áreas de atuação e influência dos
Direitos Humanos.
-
Hoje
– Atuação em perícias, penitenciárias, mediações, infância e
juventude, entre outros.
Início (século XIX-XX) – Foco na psicologia do testemunho. Destaque: Hugo Münsterberg e a obra On the Witness Stand (1908).
Consolidação (1920–1950) – Psicólogos atuam em tribunais, prisões e hospitais.
Reconhecimento (1970–1990) – Criação de associações, novas áreas de atuação e influência dos Direitos Humanos.
9. A Conexão entre Psicologia e Direito
O Direito cria regras. A Psicologia estuda o comportamento humano. Quando se unem, ajudam a promover decisões mais justas, considerando não só a lei, mas também a realidade de cada pessoa (Nascimento, 2022).
Áreas de atuação:
-
Avaliação de testemunhos
-
Interdição e capacidade civil
-
Guarda de crianças
-
Psicologia penitenciária
-
Mediação de conflitos
Avaliação de testemunhos
Interdição e capacidade civil
Guarda de crianças
Psicologia penitenciária
Mediação de conflitos
Funções do psicólogo jurídico:
-
Perito: Produz laudos para auxiliar o juiz;
-
Assistente técnico: Representa uma das partes;
-
Mediador: Facilita acordos;
-
Consultor: Aconselha magistrados e advogados;
-
Educador social: Atua na prevenção de conflitos.
Perito: Produz laudos para auxiliar o juiz;
Assistente técnico: Representa uma das partes;
Mediador: Facilita acordos;
Consultor: Aconselha magistrados e advogados;
Educador social: Atua na prevenção de conflitos.
Desafios na prática:
-
Linguagens diferentes entre as áreas;
-
Riscos éticos e de parcialidade;
-
Dificuldade em não reduzir a pessoa ao diagnóstico;
-
Judicialização de problemas sociais.
Linguagens diferentes entre as áreas;
Riscos éticos e de parcialidade;
Dificuldade em não reduzir a pessoa ao diagnóstico;
Judicialização de problemas sociais.
Conclusão
A Psicologia Jurídica mostra como o Direito e a Psicologia podem
trabalhar juntos para tornar a justiça mais humana. O psicólogo não aplica
a lei, mas ajuda a interpretá-la com sensibilidade às realidades
individuais, garantindo que decisões legais respeitem as pessoas envolvidas.
REFERÊNCIAS
Almeida, F. (2022). Interesses jurídicos e a proteção do direito subjetivo. Revista Brasileira de Direito, 18(2), 134-150.
Barros, M., & Almeida, R. (2023). Psicologia jurídica: fundamentos e aplicações contemporâneas. Editora Jurídica Moderna.
Costa, L. (2020). Direito: conceitos e acepções. São Paulo: Atlas.
Fernandes, J. (2022). Fundamentos do direito: pressupostos e validade. Revista de Ciências Jurídicas, 27(1), 45-62.
Martins, E. (2021). Teorias do direito subjetivo: uma análise crítica. Direito & Sociedade, 15(3), 77-90.
Mendes, R. (2020). Introdução ao direito. Rio de Janeiro: Forense.
Nascimento, T. (2022). A interface entre psicologia e direito: desafios e perspectivas. Psicologia Jurídica Contemporânea, 5(1), 20-38.
Oliveira, P. (2019). Direito subjetivo e suas implicações jurídicas. Revista de Direito Contemporâneo, 10(4), 112-125.
Pereira, A. (2021). Objeto e método do direito. Curitiba: Juruá.
Pinto, C. (2020). Teoria mista do direito subjetivo: fundamentos e críticas. Revista Jurídica, 8(2), 65-78.
Silva, M. (2019). Finalidade do direito: teoria e prática. São Paulo: Saraiva.
Souza, L. (2021). Direito objetivo: conceitos e aplicações. Porto Alegre: Livraria do Advogado.
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Silva, M. R. (2021). Psicologia jurídica e direitos humanos: desafios para uma atuação crítica. Revista Psicologia e Sociedade, 33(4), 122–136.
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